Acabei de voltar de Fernando de Noronha e devo estar como a maioria das pessoas - extasiada.
Fiz um post inspirado no facebook, com a foto típica do Morro dos Dois Irmãos e um breve relato do que foram aqueles quatro dias. Resolvi falar um pouco por aqui de forma mais detalhada sobre essa experiência. Esse primeiro texto vai ser introdução, vou falar por cima do que gostei mais e depois faço outro sobre restaurantes e passeios.
No final do ano passado decidi que definitivamente eu ia conhecer o destino mais caro do Brasil. Mandei um email para os amigos, convenci o marido e em junho deste ano embarcamos em oito soldados.
Já no sobrevoo o primeiro encanto. Para quem pesquisa tudo antes de viajar, sabe que é OBRIGATÓRIO ficar do lado esquerdo do avião e apreciar as belas paisagens lá de cima. Descemos no menor aeroporto do país, bem pequeno e bem cheio já que todos os dois vôos ( Gol e Azul) vindos de Recife chegam juntos e é necessário passar pela migração antes de pegar as malas.
Chegamos debaixo de chuva, meio preocupados de que São Pedro não fosse nos ajudar - mas ajudou e como- 4 dias lindos de Sol.
Se você é organizado e programado, sabe que a ilha te cobra uma taxa de preservação ambiental, R$46,00 por dia e que, é bem melhor pagar com antecedência pela internet nesse link aqui. Além disto, há um outro ingresso que te dá acesso às praias que ficam dentro do parque de preservação ambiental ( Sancho, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos, Sueste) no valor de R$75,00 para brasileiros.
Pronto, depois de pago o pacote e todas as taxas, Noronha é só alegria. As primeiras reações são de susto com os valores, água e a cerveja mais barata que é a Skol R$5,00. Outro susto pela variedade de cerveja que há naquele lugar, tem bohemia, budweiser, Stella em quase todos os lugares oscilando entre R$8,00 e R$10,00 a long neck. Tudo é caro, mas, se você conversar com qualquer morador vai entender que não é exploração de turista não, tudo é caro para eles. Paguei R$12,00 num sorvete magnum ou R$9,00 em um frutare.
A média das refeições fica entre R$30,00 e R$50,00 e é claro que tudo vai depender do seu perfil, se quer esbanjar ou não. No primeiro dia, famintos que estávamos e tudo fechado caímos num restaurante chamado Xica da Silva, comida EXCELENTE, ambiente delicioso e um garçom que está perdendo tempo e deveria virar publicitário, a conta?? R$100,00 por pessoa - oucht! Depois daí, fomos ficando mais cuidadosos, mas não adianta- tudo é mesmo muito caro.
Adoramos a barraca das gêmeas na cacimba do padre e o seu peixe na folha de bananeira - Lá um prato MUITO BEM SERVIDO para dois custa R$60,00, delicioso!
Aliás, a Cacimba foi um dos meus lugares preferidos, achei lindo! O Sancho é sensacional, mas a dificuldade de acesso me deu fadiga para voltar..rsrs! A baía dos porcos minha gente, é o lugar deslumbrante. Consegui subir numa pedra e ficar apreciando durante alguns minutos embasbacada, enquanto os amigos nadavam e viam peixes de tudo quanto é cor. A foto abaixo é a que melhor reflete a viagem toda
Das praias mais urbanas, adoramos a do Cachorro. Fácil acesso, mar calmo e quentinho e um pouquinho de estrutura com cadeiras e guarda sol, sem contar no MELHOR queijo coalho de todos no Tota Bar ( marinado no vinho com pasta de alho, coisa de outro mundo). Achei a praia da Conceição linda também, mas com pouca sombra, então o Sol castiga demais!
Noronha é beleza natural extrema. Em qualquer praia você, sua máscara e seu snorkel ( que serão seus melhores amigos) poderão mergulhar e ver peixes, arraias, tartarugas, corais e talvez até tubarão - Talvez por isso, nem precise fazer nenhum passeio para mergulhar - mas é claro que com os guias, você vai em lugares mais certeiros ou se for meio medrosa como eu, tem certeza de que nenhum bicho vai te atacar.
A ilha é bem pequena e é muito fácil se locomover por lá. Você aprende rapidinho e dá para fazer quase tudo a pé ( depende do pique, é claro), só que por ser vulcânica tem muito sobe e desce.
O que mais me encantou nessa viagem foi o povo de Noronha. Todos falantes, simpáticos, de uma doçura deliciosa. Parece que eles ainda carregam uma pureza que nós já perdemos faz muito tempo. Ficamos amigos de todos, os garçons tudo parceiros, os guias, o Zé Vieira do boteco, a Vânia do cachorro quente - a gente se sentia nativo e no aeroporto, após quatro dias eu dei tchau para um monte de gente, me senti quase uma estrela. Adorava conversar e ouvir as histórias de como chegaram lá e o que fazem para sobreviver, pois apesar de morarem num paraíso são verdadeiros heróis. Não há estrutura para nada. No hospital por exemplo, não se faz parto. A Vânia do cachorro quente nos disse que foi a forma que encontraram para dificultar que as mulheres engravidassem e nascessem noronhenses, uma vez que a Ilha já não comporta mais ninguém.
Infelizmente também visitamos o SUS mais rápido do País...hehehe! Uma amiga caiu e torceu o pé, tomou duas injeçoes e nos proporcionou um turismo social - o primeiro médico de calça jeans, regata e braço tatuado que eu vi por aí. Estava num sono profundo e foi uma das poucas pessoas não simpáticas que conhecemos - mas, aparantemente ele era de SP...ehehe!
Olha, vale a pena cada centavo, cada parcela no boleto, cada aperto que passamos para pagar a viagem. Foi inesquecível não só pelas praias de águas cristalinas, mas por tudo. Voltamos com um gostinho de quero mais, de seguir as dicas dos nativos e retornar em setembro quando o mar está uma verdadeira piscina ( será que consegue melhorar??). Aguardemos, quem sabe né!?
Beijos

